sábado, 2 de fevereiro de 2013

CLIMA


Falar-se em “pele” agora é moda. Não “rolou”, é uma questão de “pele” e coisa e tal. Advogado é quem gosta de incorporar esses tipos de inovações semânticas. Houve tempo que era “engessar”. O discurso não era discurso se não houvesse a palavra boiando no meio. Também “epitelial”; aqui, não obstante decorrer de “pele”, pra indicar a superfície ou superficialidade de qualquer questão.

Pra mim, melhor é “clima”. Pois que dele deriva esquentou, esfriou e amornou.  E o sujeito brochou porque não houve “clima”. Ou a camisinha era muito grossa, matou o “clima”. E transar de camisinha com efeito é o mesmo que chupar bombom com casca. Tergiversei. E há clima de elevador: __ Bom dia, tudo bem? __ Tudo. E pra que respondeu? A pergunta é protocolar, não existe interesse em saber a real situação do outro, não há “clima”. Dê o troco: --Tudo bem? E fica por isso mesmo.

E entra-se no “clima” do carnaval. Bem antes mesmo da festança de quatro dias. E o sujeito se traveste de “super herói” e sai no “Enquanto isso na Sala da Justiça”. Tenho vergonha. Não vejo graça alguma. Com efeito, não incorporo o “clima” do carnaval. Não é minha “praia”.

Nunca fui pra o galo. E nem vou. Não há motivo pra se orgulhar daquela multidão aglomerada no centro da cidade.  Mas o povo se orgulha. Orgulha-se até por Eike Batista ser um dos homens mais ricos do mundo!? No dia que me virem fantasiado, com certeza estou na fase de euforia de distúrbio bipolar.

Gosto mesmo é de um forrozinho. Rela bucho com bucho, ou outras coisas com outras coisas. Não que não “role” no carnaval. Até mais do que no forró. Mas não há “clima”, ou melhor, o “clima” é prescindível.

Assisti muitos filmes românticos quando criança.

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