domingo, 21 de julho de 2013

Live Track

Assinei o “Live track’ da garmin por um mês (R$ 4,00). O programa permite o acompanhamento, em tempo real, do treino. Ou seja, a garmin disponibiliza um link de acompanhamento para pessoas previamente escolhidas (no meu caso, amigos do facebook). Excelente. Amanhã de manhã, a partir das 06:00 hs, o link estará disponível: correrei de casa até o marco zero, onde participarei da corrida das estações Adidas, num total, mais ou menos, de 20 Km. Hoje fiz teste no treino de bike. Enrolei-me com o celular, porquanto liguei ao mesmo tempo o “endomondo’, o “garmin fit”, o rádio e o “play”. Salada. Mas no final deu tudo certo. Novela é sair de casa com a “speed”. “Desentocá-la” da varanda, encher pneu, elevador, sacar pneu da frente, baixar bancos do carro, tirar trecos da mala e colocá-los na frente, ver os pontos de atrito . . . E os acessórios? Protetor solar, camisa proteção solar, short compressão, tênis sem cadarço (por conta do pedal em forma de concha), óculos, cinta cardíaca, gel . . . Tudo isso pra treino de uma (01) hora. Depois, toda “arrumação” da volta. O procedimento, no começo, me impacientava. Fui acostumando, acostumando, até que, hoje, acho divertido. Correr não, pois que pratico a atividade há muito tempo. Mas um dos motivos que me levaram a andar de ônibus, a pé e de bike foi ter levado multa da CTTU. Quatro anos atrás, aventurava-me numa motocicleta de 600 cilindradas. Moto pesada, motociclista baixinho, ‘cirque du soleil’. À conta disso mesmo (ipso facto), todo equipado: protetor de coluna, de cotovelo, de joelho, luva, capacete etc. Saindo da Padre Inglês (saudosa rua dos meus tempos de Radier) para pegar a Conde da Boa Vista, não ouvi nada. Um mês após, o presente: multa gravíssima, perda de 7 pontos na carteira e contingente suspensão do direito de dirigir. Porra, o que eu teria feito? Quem me teria multado? Perder o direito de dirigir, inclusive automóvel? O próprio Josef K de Kafka (O processo). A possibilidade de não poder dirigir por certo tempo me angustiou. Como levaria Bia pra escola? Como iria trabalhar? Como iria fazer feira? Pior. Como iria conciliar todas essas atividades? Passou-me contratar motorista. Camaleão metamorfoseia-se em cobra e adrede troca de pele. Comecei a andar de ônibus, a pé e de táxi. Acostumei. Isso é o que a maioria da população faz. A multa. Mas que a única prática a se enquadrar na capitulação seria andar com a viseira levantada. Recorri à CTTU. Perdi. Recorri à Jarí (Detran). Perdi. Recorri ao Cetran. Ganhei.

A Avenida Norte Mudou

A avenida norte mudou. Para acessar a Cônego Barata, é necessário pegar à direita depois da Estrada Velha de água Fria, e contornar pela Rua Boa Vontade. Algumas vezes, tenho feito o trajeto, que não me é estranho de há muito. Lembranças da Rua Boa Vontade. Reluto, pois que com efeito o que vale é o aqui e agora. Mas que muita vez me acomete essa “coisa” de retrospectiva (com Émile Durkheim, em “As Regras do Método Sociológico”: Coisa é todo objeto de conhecimento que não é naturalmente apreendido pela inteligência, tudo aquilo de que não podemos adquirir uma noção adequada por um simples processo de análise mental, tudo que o espírito só consegue compreender na condição de sair de si próprio, por via de observações e de experimentações, passando progressivamente das características mais exteriores e mais imediatamente acessíveis às menos visíveis e às mais profundas). Vem do nada. Ou de uma foto. De uma simples lembrança, como na obra de Marcel Proust. Acho que acontece isso com todo mundo que já passou de certa idade. Não digo a obra monumental do autor, mas que, no mundo normal, dos simples mortais, dá pra fazer boa avaliação. Importa a quantidade e qualidade dos eventos rememorados. Numa escala de zero a cinco. Sexo em lugares inusitados. Cinco.

Nos Braços de Erebus

Dormir nos braços de Erebus. A Babá de Bia, que tem 23 anos e ganha salário mínimo, fez plano numa funerária. Porra, pra que você quer um plano desses? Indaguei. Ela me respondeu que não quer problemas no seu enterro. Fiquei admirado. Mas não é que em parte ela tem razão; caixão, deslocamento, taxas, flores etc., tudo é caro. Não tenho essa preocupação. Prefiro comprem caixão dos mais vagabundos e me enterrem no cemitério mais próximo. E tenho lá vontade de florear nada pra tapuru! Melhor seria virar pó (cremação) e adubar pé de “comigo ninguém pode”, o que não é barato todavia. Falar em barato, lembrei-me do caso da rã. Meu falecido pai, por brincadeira (apenas de sua parte), encomendou a iguaria a um brejeiro. Na hora da entrega do batráquio entretanto assustou-se com o preço, pelo que o sujeito retrucou: como jia quem pode!? E o brother me alertou que daqui a dez anos serei um velho. Não respostei, mas pensei: velhice é estado de espírito. E eu quero lá saber o que vai acontecer (comigo) daqui a dez anos? Só sei que agora estou a todo vapor. Enquanto estiver assim, está bom. Mas sigo fielmente Schopenhauer: “É mais feliz aquele que consegue viver sem grandes sofrimentos do que o outro que vive cercado de alegrias e prazeres. (...) O tolo vive perseguindo a alegria da vida e acaba ludibriado, enquanto o sábio procura evitar o mal”. E encontrei amigo que não via de há muito. Um ano mais velho do que eu. Morador de Boa Viagem. Confidenciou-me, toma 10 tipos diferentes de remédios por dia, carrega no peito dois “stents” e dorme com a ajuda de aparelho pra combater apnéia obstrutiva do sono. Com essa minha mania de médico, aconselhei-o a andar na avenida, no que ele me respondeu: Mas eu moro a três quadras da Avenida! Mas o assunto da vez são as manifestações públicas de repúdio ao poder constituído. O pessoal tá com a gota indo pra rua. Alguns vão pra namorar, outros pra roubar, incendiar e tumultuar, e outros com efeito pra protestar. Não me vejo em condições de opinar, mas percebi na fala da presidente certa arrogância; e acho que ela deu golpe baixo (aproveitando o momento) ao anunciar a contratação de médicos cubanos. Sacanagem. O caminho não é por aí. Seu eu fosse pra rua, ia protestar contra essa coisa de “carreira política”. Carreira política um cacete. Vão trabalhar seus filhos da puta! Acabar com essa coisa de o sujeito passar a vida se reelegendo. Não suporto ver Inocêncio Oliveira gaguejando na televisão.

O sapato no pedal

O sapato no Pedal. Impacienta-me certos tíquetes nervosos. Bater com caneta em mesa, balançar pernas, piscar olhos em demasia etc. Saio logo de perto, quando possível. Conheci um sujeito que balançava a cabeça constantemente (dava uns “supapos”). Era muito esquisito. A última vez que o vi tava curado. Perguntei-lhe se tinha consultado neurologista, se submetido a tratamento específico e coisa e tal. Ele me respondeu que começou a fumar maconha; um cigarro pela manhã, outro à tarde e mais um à noite, antes de deitar (posologia). Fica a dica. Com efeito não suporto coisas repetitivas. Aqui, saio do particular e vou pra o geral. Feijão com arroz todos os dias, não obstante a combinação ser muito nutritiva, é dose pra elefante. Imagine sexo durante trinta anos com a mesma pessoa. Há quem diga o importante é se reinventar. Só se houver lavagem cerebral. . .no mínimo. Mas volto aos tíquetes. Era “mão-de-obra” levar a bike pra UFPE. Desmontar, colocar e tirar do carro, centralizar a roda, ajustar os freios etc. A cada pedalada, um barulhinho: “Quit”. Várias pedaladas: “quit, quit, quit . . .”. Eita coisinha pra me incomodar. Decerto o ranger viria da fricção do freio no aro da roda. E, de fato, quando descia da bike, ajustava o freio e voltava a pedalar o ruído sumia. Porém depois de pouco tempo voltava. Fui deixando prá lá. Convicção plena, inelutável, da origem do incômodo. Só algum tempo depois descobri que ele derivava da fricção do tênis no pedal, nada tendo a ver com o freio. Nas relações humanas muita vez acontece a mesma coisa . . .

domingo, 21 de abril de 2013

Preocupação é foda

Preocupação é foda. O meu finado irmão Afrânio Samuel, coração de elefante, sistema nervoso cabeça de alfinete, em certa fase da vida perseguia problemas. Quero te mostrar uma coisa. O que é? Vem ver aqui no banheiro. Fui. Coloca o ouvido juntinho, tá ouvindo? Com muita insistência, sonzinho de ínfimo vazamento no aparelho de descarga. Rebati na hora: deixa essa “bosta” pra lá! Que aumente, quando inundar a cozinha a gente chama um encanador. Ele não se aguentava e morria de rir: é mesmo, é mesmo . . . Estava no fundo do poço. Só queria ouvir de minha boca que aquilo não valia nada. Mas é assim, quando não há freio, o nível de preocupação vai aumentando, aumentando, até agigantar-se de tal forma que se enlouquece. Não que a loucura seja de todo ruim: “O homem é tanto mais feliz quanto mais numerosas são as suas modalidades de loucura” (Erasmo de Rotterdam, Elogio à Loucura; apesar de escrito no início do século XVI, o livro é muito atual). Mas há os “normais” que se preocupam com a vida dos outros, numa disputa desmedida. Certa feita, estava eu à espera de sessão de fisioterapia, lendo “contigo” com capa puída de três anos atrás, adrede posta numa mesinha para os pacientes (literalmente), quando presenciei duas senhoras travarem embate sobre a qualidade (especialidade) e quantidade dos médicos que consultavam. De otorrino a ginecologista, passando por ortopedista, oftalmologista, endocrinologista etc. Até nisso. E se preocupam com a opinião dos outros. Aqui, o “mundo” é vasto. Da aparência ao desempenho sexual. Mas isso só ocorre, na minha modesta opinião de observador, na dita classe média, que com efeito dorme atolada em preconceitos. A mente é suja de antemão: basta um homem e uma mulher despidos se esfregarem às 8 hs da noite em frente a um shopping para concluir-se pelo atentado violento ao pudor!

Mecanicismo

Mecanicismo grosso modo é uma teoria filosófica determinista segundo a qual todos os fenômenos se explicam pela causalidade mecânica ou em analogia à causalidade mecânica (causalidade linear ou, instrumentalmente, como meio para uma causa final). Mas tem certas coisas que não se explicam. Vou dizer uma na bucha: amor. Sobre o sentimento, assim se expressou o poeta maior português: Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; É um andar solitário entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É um cuidar que se ganha em se perder. É querer estar preso por vontade É servir a quem vence o vencedor, É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade; Se tão contrário a si é o mesmo amor? Há certos indícios. Vá lá a atração, que não prescinde de antemão de certas particularidades físicas, seja aperitivo, mas com efeito nem perto chega. O respeito, a consideração, a amizade, o companheirismo, tudo enfim leva ao sentimento, mas não se pode dizer constituam premissas necessárias. A não ser assim, o “gaiúdo não tinha tanto amor pela traíra. Interessante o amor porvir. Nunca te vi sempre te amei. Aqui, pura invencionice da solidão. Alguns entendem o amor que fica, ou o amor verdadeiro seja o amor de Pica. Em realidade, pode-se tripartir o amor em Agapê, Fileo e Eros. O primeiro é o incondicional: eu te amo mesmo que tu não me ames. O segundo, é o retributivo: retribui-se o amor na medida do amor que se recebe. O último, o relacionado ao sexo. Não acredito este último seja o que fica. Se fosse assim, as prostitutas, experts na arte do prazer, “prenderiam” todos os seus amantes. Demais, sexo é sexo. Fazer “amor” é bom em si. Sinceramente, com pouco amor é bem melhor. Mas retorno às causas. Há mais mistérios entre o amor e as suas causas do que julga nossa vã psicologia.
O discurso é o mesmo. Do pó vieste e ao pó retornarás (Gênesis, 3:19). Se bem que agora pode-se fazer liquefação, vulgo hidrólise alcalina; vira-se líquido. Tudo é cíclico. O mundo dá voltas. E me perguntam por que voltei ao ônibus. Sei lá. Acho que pra ver gente. Pois que gente é gente em qualquer lugar. Cabeça, olhos, braços, pernas, barriga, sexo. O resto é roupa. Dia desses, uma ruiva. Cabelinho temeroso do mais tênue chuvisco. À base de chapa pequena. Jeans apertado. Sentada confortavelmente naquele sol das 13hs. Headfone e um livrinho. Fiz vista comprida: “Memórias de minhas putas tristes”, de Gabriel Garcia Marquez. Pois é assim. Pensar que há capas que nunca leram um romance na vida, e só são capas. E os juízes se acham Deuses. Acima de tudo e de todos. Fiz uma prova do Direito Romano na FDR que uma das perguntas era a seguinte ipsis litteris : “O primeiro Rei de Roma foi? _ _ _ _ _ _” Deve ser por isto: o grande cabedal que se consegue na graduação. Ou será pelas difíceis interpretações das laboriosas legislações confeccionadas pelos nossos insignes parlamentares? Sei não. E aludo ao grande poeta Inglês: Hamlet: Pode-se pescar com um verme que haja comido de um rei, e comer o peixe que se alimentou desse verme. O Rei: Que queres dizer com isso? Hamlet: Nada; apenas mostrar-vos como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo.