domingo, 12 de dezembro de 2010

Jogo contra Alzheimer_teste sua idade mental!



Jogo contra Alzheimer_teste sua idade mental!


JOGO CONTRA ALZHEIMER
(exercite o cérebro)

CONHEÇA A IDADE DO SEU CÉREBRO


Este jogo (teste) japonês vai mostrar se seu cérebro é mais jovem ou mais velho do que o resto do seu corpo.

Como jogar:

1. Clique no site abaixo

2. Quando abrir a página, tecle 'start'

3. Aguarde pelo 3, 2, 1.

4. Memorize a posição dos números e clique nos círculos, sempre do menor 
para o maior número, começando pelo ZERO, se ele estiver presente.

5. No final do jogo, o computador vai dizer a idade do seu cérebro!

Boa Sorte!

http://flashfabrica.com/f_learning/brain/e_brain.html




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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Recordações!

Gosto muito de Graciliano Ramos, sobretudo de Vidas Secas. Acho que à conta de os personagens, de certa forma, assemelharem-se a pessoas que conheci, quando criança. Filó, sua esposa, que não recordo o nome, e as filhas Irene e Zefa, além do cachorro Xaréu, em quase nada diferem da família do Fabiano, incluindo a cachorra Baleia.

Moravam numa casa de taipa, num “sítio” de meu Pai. Todo sábado, dia de feira na cidade, o Filó passava lá na farmácia, pra receber a “semana”. Às vezes, vinha com a família; outras, apenas com Xaréu.

Assim como Fabiano, Filó gostava de tomar umas “lapadas” e, muita vez, bêbado, caía na rua, com o fiel escudeiro ao lado. Acho que o sonho de sua mulher era ter uma cama de mola, também. Xaréu morreu atropelado.

Zefa casou com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vicência, em face do que meu pai ficou com um medo enorme de não ser acionado na Justiça do Trabalho. Não sei que fim levou a Irene.

Lembro muito de passeio em Caçuá (espécie de cesto, que se coloca no lombo de burro), quando ia ao sítio. Importante esse registro.

Tenho que Graciliano criou os personagens com base em recordações da infância.

Criar personagens, desenvolver diálogos, sem ter vivenciado situação parecida, com efeito, não é pra qualquer um. Refiro-me a Clarice Lispector, em a Hora da Estrela. O fato de ter morado em Maceió, e em Recife, o que, de certa forma, deu-lhe alguns subsídios, não foi, com certeza, o sustentáculo para a criação da obra. Fico abasbacado toda vez que leio o seguinte diálogo entre Macabéia e o namorado:

__ Olhe, Macabéia . . .
__ Olhe, o quê?
__ Não, meu Deus, não é “olhe” de ver, é “olhe” como quando se quer que uma pessoa escute! Está me escutando?
__Tudinho, tudinho!
__Tudinho o quê, meu Deus, pois se eu ainda não falei! Pois olhe vou lhe pagar um cafezinho no botequim. Quer?
__Pode ser pingado com leite?
__Pode, é mesmo preço, se for mais, o resto você paga.

Mas corredor que se preza tem que falar de corrida. Não é que venho sentido dores na curva do pé direito. Consultei uma Fisioterapeuta, aliás, muito competente, que descobriu que a pisada do referido pé é completamente irregular. De modo que ganhei (R$ 120.00) uma palmilha específica. Aconselhou-me também a fazer pilates. Vou tentar. Espero resolver o problema, pois que quero continuar correndo por mais 30 anos. É mole?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Refúgios!

Tô meio afastado do Blog. Mas correndo feito louco. Se é que louco corre. Depois da maratona do Recife, dia 15 de novembro passado, venho correndo, regularmente, três vezes por semana. Neste final de semana entretanto vou descansar.
Como não consigo ficar sem fazer nada, estou a fuçar algumas obras __ refúgios de minha inconstância.
A primeira, Os Ensaios (volume dois), de Montaigne. Assim o autor discorre no capítulo XIV:

Como nosso espírito se enreda em si mesmo.

É uma idéia engraçada imaginar um espírito balançando regularmente entre dois desejos equivalentes. Pois é indubitável que ele nunca tomará partido, uma vez que a reflexão e a decisão comportam desigualdade de valor; e se nos colocassem entre a garrafa e o presunto, com igual apetite de beber e de comer, sem a menor dúvida a única solução seria morrer de fome e sede. Para sanar esse inconveniente, os estóicos, quando lhes perguntam de onde nossa alma provém a escolha entre duas coisas indiferentes e o que faz que de um grande número de escudos peguemos um em vez de outro, sendo todos iguais e não havendo nenhuma razão que nos incline para a preferência, respondem que esse movimento da alma é extraordinário e desregrado, surgindo em nós de um impulso externo, acidental e fortuito. Antes se poderia dizer, parece-me, que não se apresenta a nós coisa alguma em que não haja alguma diferença, por leve que seja; e que, ou à vista ou ao toque, há sempre algo mais que nos atrai, mesmo que seja imperceptivelmente. Da mesma forma, se presumirmos que um barbante é igualmente forte em toda a extensão, é impossível, por impossibilidade total, que ele arrebente; pois por onde quereis que a ruptura comece?  E arrebentar em toda parte ao mesmo tempo não está na natureza. Quem ainda acrescentasse a isso as proposições geométricas que concluem, pela prova de suas demonstrações, que o conteúdo é maior que o continente, o centro tão grande quanto sua circunferência, e que descobrem duas linhas se aproximando constantemente uma da outra e nunca podendo unir-se, e apedra filosofal, e a quadratura do círculo, em que a razão e a experiência são tão opostas, talvez obtivesse um argumento para reforçar estas ousadas palavras de Plínio: “Solum certum nihil esse certi, et  homine nihil miserius aut superbius” (Não há nada certo excerto a incerteza, e nada mais mísero e orgulhoso do que o homem).

A segunda, Cândido, de Voltaire:

Um dia, em que passeava nas proximidades do castelo, pelo pequeno bosque a que chamavam parque, Cunegundes viu entre as moitas o doutor Pangloss que estava dando uma lição de física experimental à camareira de sua mãe, moreninha muito bonita e dócil. Como a senhorita Cunegundes tivesse grande inclinação para as ciências, observou, sem respirar, as repetidas experiências de que foi testemunha; viu com toda a clareza a razão suficiente do doutor, os efeitos e as causas, e regressou toda agitada e pensativa, cheia do desejo de se tornar sábia, e pensando que bem poderia ela ser a razão suficiente do jovem Cândido, o qual também podia ser a sua.

E durmam com uma bronca dessas, como diz o filósofo “Cardinot”.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Maratona do Recife 1

E depois de um quilômetro deu vontade mijar. Olhei pra o comparsa George e disparei: George, vou procurar um “matin” pra dá uma mijadinha __ estávamos em cima do viaduto das cinco pontas __, no que ele retrucou: pô Benedito, tu és formado em Engenharia, em Direito, é auditor da Receita e fala “matin”?
Fazer o quê? Não se pode negar as origens.
“Matin”, pra quem não decifrou até agora, é “matinho”, mato, árvore, arbusto, qualquer coisa que possa momentaneamente esconder o sujeito dos olhos dos outros.
Mijei atrás de um muro.
E  lembrei-me  “ouro de tolo”.
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Maratona do Recife

Ontem corri a primeira maratona do Recife. Minha terceira maratona no ano. Não tenho do que me queixar: não obstante o sol, o pouco “volume” de treinamento e a falta de água na metade do percurso, concluí em 4.23hs; fui o oitavo, de um total de 20, por faixa etária (50 a 54 anos), e o 91º de 174 inscritos. Pra mim, tá bom. Mais rápido pra quê?
Até o final do ano, não corro mais maratona. Fica para o próximo . . .
E falando em sol, em maratona e em satisfação, lembrei-me  “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. De Fabiano:

Cumprida a obrigação, Fabiano levantou-se com a consciência tranqüila e marchou para casa. Chegou-se à beira do Rio. A areia fofa cansava-o, mas ali, na lama seca, as alpercatas dele faziam chape-chape, os badalos dos chocalhos que lhe pesavam no ombro, pendurados em correias, batiam surdos. A cabeça inclinada, o espinhaço curvo, agitava os braços para a direita e para a esquerda. Esses movimentos eram inúteis, mas o vaqueiro, o avô e outros antepassados mais antigos haviam-se acostumado a percorrer veredas, afastando o mato com as mãos. E os filhos já começavam a reproduzir o gesto hereditário.
Chape-chape. Os três pares de alpercatas batiam na lama rachada, seca e branca por cima, preta e mole por baixo. A lama do rio, calcada pelas alpercatas, balançava.
A cachorra Baleia corria na frente, o focinho arregaçado, procurando na catinga a novilha raposa.
Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos __ e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera.
Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. Tirou do aio um pedaço de fumo, picou-o, fez um cigarro com palha de milho, acendeu-o ao binga, pôs-se a fumar regalado.
__Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.

A sensação de completar uma maratona é indescritível.

Estou no aguardo das fotos. Anexo entretanto o gráfico do garmin.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Coisas simples!

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. 
O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio da imaginação. Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio. E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria das idéias e da razão pura. 
Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber. 
Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo – o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas.

E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi.

- Manoel de Barros -

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sábado, 23 de outubro de 2010

Educação pela pedra!

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições de pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.
João Cabral de Melo Neto

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